Do desinfetante à covid há uma linha invisível

Quando pensamos que só acontece aos outros eis que recebemos uma chamada da realidade e ficamos sem chão.

Quando fiz o teste antigénio e deu positivo não queria acreditar e repeti imediatamente sendo o resultado igual, e aí começou a montanha russa, entre contactos com o SNS24 e amigos e familiares com quem tinha estado, foi um turbilhão de emoções, pois não sabia se eventualmente teria contagiado alguém.

Foi então que começou o isolamento, a princípio sozinho no quarto no primeiro dia, porém rapidamente mudou quando o resto dos habitantes da casa também testaram positivo, o que tornou a situação ligeiramente menos desconfortável pois assim podíamos coabitar e não necessitávamos de ter alguém para nos trazer a comida e etc.

A preocupação dos nossos contactos de risco era notória, eu avisei assim que soube que estava positivo mesmo ainda não tendo feito o teste PCR, até porque eu já tinha bastantes sintomas e sentia-me muito mal (mesmo tendo a vacina), por isso era evidente que o vírus estava presente. Todos os meus contactos de risco fizeram o teste no decorrer dessa semana dando todos negativo, apenas se espalhou na casa que habito.

No meu caso, tive que recorrer às urgências, pois tive falta de ar logo ao segundo dia de contágio, felizmente estava tudo “normal”, dentro do possível e voltei para casa. É de louvar, a meu ver, a organização das urgências covid 19 do hospital São Teotónio de Viseu, pois foram sempre prestáveis e humildes com os pacientes.

Já quando tinha interiorizado que estava infetado comecei a questionar-me como tal poderia ter ocorrido, pois eu pensei, só me desloco para o trabalho e volto para casa, vou à pastelaria comprar pão de máscara e desinfeto sempre as mãos e respetivo dinheiro quando recebo troco, apenas faço compras num minimercado local que nunca tem mais de quatro clientes ao mesmo tempo, desde que as discotecas abriram não fui a nenhuma visto não ser hábito que tenho, quando vou tomar café com alguém desinfeto sempre a cadeira e respetiva mesa, compras que trazemos para casa são sempre desinfetadas desde o início da pandemia (há quem diga que até sou bastante "paranoico"), "bolas", até o troco da farmácia eu desinfetava, já para não falar que a máscara passou a fazer parte da indumentária diária, trocando sempre que necessário, então foi aí que eu me questionei... onde teria eu sido contagiado?

A verdade é que não sei e não vou saber e mesmo com todos estes cuidados eu fui apanhado... Ainda disse aos meus amigos em tom de brincadeira: eu sabia que mais tarde ou mais cedo algum de nós iria apanhar este vírus, mas não contava ser o primeiro do nosso círculo.





Autor: Álvaro Fernandes

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