Fibromialgia e quarentena

Não sei porque me deu hoje dia 2 de abril para escrever sobre este assunto, no entanto aqui estou para partilhar esta história com quem a quiser ouvir. Talvez seja pelo facto de estarmos em quarentena e ter estado uns dias em casa, parada, até voltar a trabalhar e sair do dito sofá traiçoeiro que nos deixa o corpo mole e como se tivéssemos levado "pancada".

Mas faz mais ou menos um ano que descobri que tinha uma doença chamada de fibromialgia, e eu vou tentar explicar como é que eu soube disso e em que consiste.

Então há mais ou menos dois anos eu sentia dores em certas partes do corpo, e chegou mesmo acontecer sempre que acordava não conseguir abrir as mãos e coisas como cortar carne ou atar os sapatos serem dolorosas para se fazer, essas dores físicas não tinham marcas, não tinham nódoas negras e por isso era difícil de as explicar. Foram vários os exames que fiz, pensou-se que seria problema de ossos, tendões, tudo o que possam imaginar e na verdade, felizmente também que não se tratava de nada disso. Após se fazer eliminação de possíveis opções chegou-se à conclusão de que era esta "coisa" da fibromialgia.

Resumindo, pode dizer-se que o meu cérebro em casos de stress ou sob pressão seja porque motivo for dá uma descarga ao resto do corpo transformando esse mau estar em dores corporais, que se surgem intensamente nos cotovelos, ombros, costas, na parte debaixo das pernas e nos pulsos. Um exemplo disso é, todos sabem quem eu sou no Visiunarte e quando tenho peças de teatro que por alguma razão não correm dentro daquilo que eu considero razoável, essa pressão e stress concentra-se nos meus músculos, tendões, criando muita tensão e dor. Quando tento explicar a dor é semelhante a alfinetes quentes a espetar de fininho (quando era pior).

Era muito difícil explicar a quem me rodeava como me doía e porque me doía, porque o que não se vê não existe ou é uma depressão, ou pode ser cancro porque não se vê mas existe.

Então quando finalmente se chegou a uma conclusão comecei a ser medicada para tal e de facto as melhoras foram visíveis, nunca mais me doeu nem sequer perto ou parecido. No entanto, esta doença é alvo de muito preconceito, quando no médico me perguntam se tomo alguma medicação acabo por ter vergonha de dizer que tomo a tal e para quê, pois a resposta é sempre "Na sua idade? Na, isso deve estar mal receitado!" ou "Na sua idade? Naaa, isso deve ter sido uma depressãozinha", atenção que não sou daquelas pessoas que nega os efeitos da depressão ou que são pessoas menos do que as outras, mas simplesmente no momento não era o meu caso, é preciso ver que fiz todo o despiste de exames até chegar a esta conclusão. Curiosamente também se descobriu porque eu fiz o que nunca se deve fazer que é procurar na net e claro que também não aconselho, mas, em ato desesperado de meses com dores horrendas e sem respostas decidi perguntar ao amigo google o que poderia ser e dados os sintomas, apareceu-me a resposta "fibromialgia" e eu própria disse à médica se poderia eventualmente tratar-e de.

Quero com isto dizer que se tu passas por algo semelhante ou pelo mesmo não te deixes abater e nesta quarentena tenta combater a rotina do sofá porque vai doer muito mais e tenta fazer exercício em casa, contraria a estagnação para uma melhor qualidade de vida. No médico vão-te dizer para não fazer A e B e C exercício mas a questão é faz se te faz bem especialmente à cabeça porque é ela que vai guiar a dor para o resto do corpo. Fazer exercício ajuda muito a combater a dor e tentar levar a vida de uma forma positiva e "chill", o que para mim por vezes é difícil, mas tento não me "stressar", pelo menos como antes.

Eu tenho 25 anos e costumo dizer que tenho uma doença de velha, porque é verdade, mas aprendi a viver com ela e se tu a tens também podes aprender e esquecer-te que ela existe, porque doer dói sempre mas nós sabemos esquecer a dor.

Na altura pesquisei tudo e mais alguma coisa, para estar bem informada e lembro-me de pensar que também era doença de estrela famosa, uma vez que "n" celebridades sofrem deste mal dado ao stress em que vivem como por ex a Lady Gaga (é possível ver bem esta doença no documentário sobre a vida da artista).

Quero com isto deixar uma mensagem de positivismo e vivam momentos felizes, assim que possível venham ao teatro porque esses momentos são os que levamos da vida e são os que nos fazem esquecer certas "dores". Eu esqueço essas dores quando vou para o Visiunarte, quando estou com os meus amigos, familia e quando faço aquilo que me deixa feliz.


Autor: Maggie Ribeiro






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