Teatro: o sonho comanda a vida

De uma forma magistral, António Gedeão, no seu poema “Pedra Filosofal”, definiu o sonho como algo que comanda a vida. É o sonho que nos leva à realização do nosso ser, é ele a vontade intrínseca que promove a curiosidade, a vontade de ir mais além, a ambição. Foi esse sonho que fez avançar o mundo que, tal como uma bola nas mãos de uma criança, “pula e avança”. Assim, toda a componente artística é fruto de um sonho e o Teatro é o palco por excelência da sua concretização.

Se sonhar é um verbo conjugado por todos os Homens, a verdade é que ele está mais presente nos jovens. É ele que nos faz levantar de manhã, ficar tantas vezes acordados ou até mesmo ter ideias do tamanho do mundo. Apesar dos sonhos mais belos, é essa ambição de os concretizar que nos leva ao sucesso, mas tantas vezes ao fracasso. Mas o importante não é chegar é partir, deixar o conforto do sofá e ir em busca.

Para mim, o meu sonho está intimamente ligado com o Teatro. O palco é um local de magia e de esperanças, de histórias que contam realidade ou imaginação.... Sério ou lúdico, o Teatro tem sempre uma componente artística que nos faz refletir sobre a realidade dos outros e de nós próprios. É neste mundo que sou realmente feliz e concretizada é o meu sonho! Aqui esbatem-se racismos, convicções políticas ou religiosas e todos somos iguais. Ao representar, ao encarnar uma personagem estamos a dar voz a sentimentos que nos fazem rir ou chorar, que nos fazem refletir sobre a sociedade e sobre o mundo que nos rodeia. Para mim, sinto como uma enorme responsabilidade esta tarefa que acaba por ser um misto que envolve a técnica, a inspiração, a reflexão crítica e a sensibilidade estética. Relativamente ao público, quando estou em cima de um palco sinto que ele faz parte de mim, olho para ele com a mesma ternura e carinho com que olho quando gosto de alguém.

O Teatro é o grande palco de todos os sonhos que reúnem todas as concretizações da mente humana. Todos nós acabamos por ser atores numa busca pela felicidade. Alegramo-nos com as vitórias que conseguimos alcançar, choramos com as derrotas, mas no fundo todos nós esperamos os aplausos da plateia. Mas acreditem, se queremos atingir o céu, não podemos ser meros espetadores!


Autora: Beatriz Pina




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